Fafá de Belem

Biografia

Fafá de Belém por Eduardo Logullo

Então vamos falar sobre Fafá. Olha que conheço a história da tal MPB e de muitos de seus representantes considerados máximos. Pois bem. Fafá, há algum tempo, evoluiu/voou do estágio de cantora para o patamar de intérprete. Vôo raro. Isso significa conhecimento, evolução e invenção. Ela hoje canta o que quer, porque sua presença se sobrepõe a qualquer roteiro, compositor ou escolha de repertório. Isso é virtude e alcance. O difícil. Alcançar harmonias de canções que traduzem vida, experimentos e bifurcações.

Ninguém no Brasil teve (ou tem) um estilo único, regional. Em Fafá (e com Fafá) isso se torna mais evidente: a geografia musical da sua garganta é imensa e traduz um aglomerado de riquezas e contradições. Isso se diz criar. Pegar, entender e solfejar. Uirapuru piou. Uirapuru voou.

Fafá de Belém traz um sobrenome que a poderia reduzir como artista. Mas o desafio dela sempre foi anular esse mapa, esse pouso, sem dispensar as ventanias regionais do canto, mas abrindo-se em rotas de descobertas para cantos urbanos, animados, ritmados, tristes, desoladores, políticos, avançados e delicados. A possibilidade do termo tudo.

Viva ela. Vitória-régia que flutua no espaço sideral da sempre imensa e interminável e inenarrável e misteriosa música popular desse lugar que se chama Brasil.
Ave: Fafá.

Fafá de Belém por Eulália Figueiredo

Desde o primeiro álbum, “Tamba Tajá”, em 76, o canto, a sensualidade, a força e o carisma de Fafá de Belém contagiaram o povo brasileiro e até mesmo os críticos considerados mais exigentes. Aliás, um pouquinho antes, em 75, a artista já obtivera reconhecimento nacional com a inclusão, na novela Gabriela, da música “Filho da Bahia” ( de Walter Queiroz e interpretada por ela).

De lá pra cá, a cantora vendeu milhões de álbuns, conquistou plateias pelos quatro cantos do mundo, acumulou algumas das mais importantes premiações relacionadas à canção brasileira. No exterior, o público lusitano, que a acolheu como uma típica compatriota, foi o mais seduzido pelo talento desta intérprete visceral que canta, com emoção, o que a arrepia sem render-se a modismos. Ao contrário, em certos momentos, tornou-se até pioneira, abriu caminhos para estilos e tendências. Gravou lambada quando ninguém nem sabia do que se tratava; conseguiu chegar às fms com uma canção sertaneja, “Nuvem de Lágrimas”: a primeira de um gênero considerado brega a ser executada nas rádios fms do Rio (até então consideradas elitizadas).

Voltando aos patrícios, a cantora é tão prestigiada em Portugal que ganhou, em 2011, a “Medalha do Turismo”, e um dos seus maiores sucessos – a canção “Vermelho” (Chico da Silva) – é um dos hinos da torcida do Benfica. Não foi à toa que Fafá, descendente de portugueses, em janeiro de 2013, solicitou sua dupla cidadania.

Cantora dos grandes amores, desamores, das causas passionais, a artista arrebatou, desde o início, não só o público mas também alguns dos maiores nomes da MPB. Em seus álbuns, músicas feitas ou não para ela mas que pareciam sempre exibir o seu “dna”, explodiram em sua voz. Eram presentes e mais presentes de ícones como Milton Nascimento, Chico Buarque, Suely Costa, Ivan Lins, Fernando Brant, e também de conterrâneos ilustres como Paulo André e Ruy Barata. Estes últimos, que compuseram canções como “Foi Assim” e “Pauapixuna”- megasucessos da carreira de Fafá. “Tamba Tajá”, que titulou o álbum de estreia, foi composta por Waldemar Henrique, outra figura lendária de sua terra natal. “Sedução” e “Raça”, de Milton e Brant, as músicas “Dentro de mim mora um anjo” (Suely Costa/Cacaso) e “Bilhete” (IvanLins/Victor Martins) soam como marcas registradas e, praticamente, definitivas em sua voz.

Apesar de adorar participar, na infância, das festas e saraus promovidos pela família, Fafá não pensava em ser cantora. Queria ser psicóloga. Mas fazia de tudo para ficar no meio dos adultos e adorava “soltar a voz” durante essas reuniões. Ainda adolescente, mesmo sem saber, já dava “sinais” de sua paixão pela música quando fugia de casa, com amigos, para cantar em serestas e saraus.

A grande brincadeira só acabou mesmo quando conheceu Roberto Santana e o produtor resolveu aconselhá-la a investir na carreira artística. Com o incentivo, Fafá resolveu cair na estrada e apresentar-se em diversas cidades: Rio de Janeiro, Salvador e, claro, Belém. Logo viria a estreia, como cantora profissional, num espetáculo de teatro:”Tem muita goma no meu tacacá” – uma sátira ao momento político daquela época e que contava, em seu elenco, com o hoje conhecido ator Cacá Carvalho.

“Àgua”, o segundo álbum, que vendeu mais de 100 mil cópias, consagrou a cantora nacionalmente. E vieram muitos e muitos outros sucessos a partir daí. “Sob Medida”, de Chico Buarque, gravado em 79 no álbum “Estrela Radiante”, com canções regionais e urbanas, é considerado um dos seus maiores hits.

Talentosa também como atriz, Fafá de Belém participou de filmes, telenovelas e espetáculos musicais. “Alabê de Jerusalém” ( a “ópera-negra” de Altay Veloso), a novela “Caminhos do Coração” escrita por Tiago Santiago (Rede Record) e o filme de Tizuka Yamasaki “Amazônia Caruana” (que narra a vida da única pajé brasileira, Zeneida, que vive na Ilha de Marajó) são alguns dos trabalhos realizados pela cantora e atriz que também fez parte, como jurada, do programa “Ídolos”, da Record.

Conhecida como a “Musa das Diretas” pela participação efetiva no movimento que tomou conta do país em prol das eleições e fim da ditadura militar, Fafá também realizou gravações históricas e emblemáticas que emocionaram o povo brasileiro, como nas gravações de “Menestrel das Alagoas” (LP Fafá de Belém), e do “Hino Nacional Brasileiro” (no álbum “Aprendizes da Esperança”). Sua identificação com os movimentos progressistas e por ter caminhado por todo o Brasil na campanha pela democracia e em repúdio aos “anos de chumbo”, “de avião, carro, ônibus, e até lombo de burro” como costuma dizer”, rendeu-lhe amigos em todos os partidos. Como diz Fafá, “sou amiga dos amigos e não de partidos. Conheci todos essas pessoas que aí estão, quando lutávamos – todos – sob uma mesma bandeira: a da redemocratização”. Felizmente, essa trajetória não se perderá e será contada em um longa-metragem, que vai retratar a caminhada da única artista a participar de todos os comícios pela Diretas.

Reverenciada como uma intérprete de grandes nomes da MPB e de conceituados autores regionais, em meados dos anos 80, a intérprete dá uma guinada na carreira e abraça a chamada canção popular, passando a apostar suas fichas em autores menos incensados pela crítica.

Grava canções ainda mais românticas, populares e explode, literalmente, nas paradas. Em 86, com o álbum “Atrevida” e em função de megahits como “Memórias”, de Leonardo, e “Meu homem”, versão da própria Fafá para “Nobody does it better” (gravada originalmente por Carly Simon) chega à incrível cifra de 500 mil cópias vendidas! Mas outras canções chegam, com força total, em lps posteriores: “Meu Dilema” (Michael Sullivan /Leonardo) foi o maior destaque no álbum “Grandes Amores”, e “Meu disfarce”, de Chico Roque e Carlos Colla, foi um dos hits do álbum titulado como “Sozinha”. E muitas canções interpretadas pela artista como, por exemplo, “Coração do Agreste”, de Moacyr Luz e Aldir Blanc, que fez parte da trilha sonora de “Tieta”, também frequentaram as telinhas. “Nuvem de Lágrimas”, de Paulo Debétio e Paulinho Rezende, sucesso até hoje, foi gravada no álbum “Fafá”. “Doces palavras”, o disco posterior, trazia canções como “Coração Xonado”, “Águas Passadas” e ganhou versão, em CD, com três faixas como bônus.

Álbuns como “Coração Brasileiro” (96) e “Pássaro Sonhador” (98), os inúmeros “Fafá” e o “Meu fado”, um CD inteiro dedicado à canção portuguesa mas com sotaque brasileiro, lançado em 92, são alguns dos trabalhos fonográficos de uma carreira cortejada, incessantemente, pelo sucesso. Seja ele através das canções românticas, poéticas, melodias urbanas, regionais, embaladas pela poesia ou até mesmo pelas mensagens sociais, conscientizadoras. Os anos 90 foram, sem dúvida, tempos de muita batalha mas também de muitas vitórias para Fafá.

Os anos 2000 começam, para a cantora, com um CD intitulado “Maria de Fátima Palha de Figueiredo” – com repertório romântico e canções consagradas. Destaque para a regravação de “Meu nome é ninguém”(Haroldo Barbosa /Luiz Reis) registrada, originalmente, por Miltinho. “Piano e voz”, em 2000 e, logo depois e na mesma linha, o “Fafá ao vivo”de 2002; o registro, em 2003, de ” O canto das águas”; “Tanto Mar”, em 2005 (em homenagem a Chico Buarque), e o CD/DVD “Fafá ao vivo”, em 2007. “Fafá – Raridades”, em 2011; “Ep “Frevo e Folia” e “Amor e Fé” (ambos em 2013) vieram na sequência. “Amor e Fé”, um dos mais recentes lançamentos da artista, é uma reverência ao Papa Francisco. Fafá, reconhecidamente religiosa, é a única artista no mundo a cantar para três papas.

Com uma carreira profissional consolidada, mas sempre preocupada com as questões sociais, culturais e religiosas, Fafá de Belém também tem se esmerado na divulgação de um dos maiores eventos deste país: o Círio de Nazaré (que acabou de ser titulado como”patrimônio imaterial da humanidade” pela Unesco). A manifestação, realizada em outubro, leva milhões de fiéis à sua querida Belém do Pará. A cantora, utilizando-se dos seus conhecimentos e com muita criatividade, tem realizado um evento denominado “Varanda de Nazaré” para atrair a atenção sobre a bela manifestação cultural e religiosa. Fafá tem reunido inúmeras personalidades formadoras de opinião, e conseguiu um foco ainda maior da mídia para o evento recorde com cerca de três milhões de pessoas . São cidadãos das mais diversas regiões que, nessa ocasião, são convocados pela cantora para assistir ao Círio e a conhecer um pouco mais da cultura amazônica. Uma região, infelizmente, ainda pouco apreciada pelos próprios brasileiros.

Atualmente, Fafá se prepara para uma nova maratona carnavalesca pelas ruas, vielas e palcos do Recife e do Nordeste, cantando a música inédita que gravou, recentemente, com a participação do autor Alceu Valença “Beija-Flor Apaixonado”). Canção esta que estará disponível para download, gratuitamente, até o dia 10 de março, em seu site (www.fafadebelem.com.br). A exemplo do ano passado, ela também cantará durante a passagem do maior bloco do mundo: o Galo da Madrugada – que participou do seu EP, em 2013.

Depois da folia, a artista recomeça sua turnê nacional e também volta ao exterior, no dia 08 de março, como convidada do Cabo Verde Music Awards. Em seu retorno ao Brasil, a cantora iniciará o processo de seleção de repertório para um novo e, certamente, vitorioso álbum de carreira.

Para encerrar, vale a pena reeditar a palavra da própria intérprete no trecho final da biografia que pode ser encontrada em seu site: -”Sempre transei minhas coisas, vivi minha vida, batalhei demais e dei muito murro em ponta de faca para chegar aonde estou. É o povo que ensina ao artista o que ele tem de cantar e não o artista que deve ensinar ao povo o que ele tem de ouvir”– repete, com freqüência, a artista popular que Fafá de Belém se tornou. Fafá virou marca nacional. Marca nacional de alegria, com aquela gargalhada sinceramente estrondosa que é capaz de levantar os ânimos de qualquer um. Marca nacional de saúde, a bela mulher brasileira que batizou até as lanternas do antigo Fusquinha, outra paixão popular. Marca nacional de liberdade, símbolo de um movimento político que fez milhões de brasileiros se emocionarem com sua interpretação do hino pátrio.

Esta é Fafá de Belém. Ou melhor: Fafá do Mundo!

Maria de Fátima Palha de Figueiredo sempre gostou de cantar. Dona de uma das mais expressivas vendagens de discos no mercado nacional, presença constante nas paradas de sucesso e à frente de atribulada agenda de shows, nos últimos anos Fafá de Belém conquistou duramente o posto de estrela da nossa canção popular. Das feiras de agropecuária no interior do país e shows em praça pública até temporadas no eixo Rio – São Paulo, incluindo o Cassino Estoril, em Portugal, ela é sempre vitoriosa.

Em 1976, Fafá lançou o primeiro LP, Tamba Tajá. Seu canto seduziu até o demolidor crítico de música brasileira do Jornal do Brasil, o temido José Ramos Tinhorão, que se derramou em elogios à jovem artista, apontando-a como ?uma cantora destinada a figurar no primeiro time da atual geração de grandes intérpretes brasileiros.? O álbum seguinte, “Água” (1977) confirmava todas as previsões: atingiu cerca de 95 mil cópias vendidas.

Embora jamais tenha pensado em ser cantora profissional, desde os 9 anos de idade, Fafá de Belém, era uma atração nas festas promovidas pela família ou nas casas de amigos. Apesar de menina, interpretava como gente grande “Ouça”, sucesso de Maysa, ou “Eu e a Brisa”, de Johnny Half. Era uma garota que, como os da sua geração, amava os Beatles, era fã de Roberto Carlos e da turma da Jovem Guarda, mas também fascinada por jazz, música clássica, e que se emocionava ouvindo os grandes cantores de rádio, como Cauby Peixoto, Angela Maria, Núbia Lafayette e Orlando Silva, “Gente de punhal no peito”, que ela gosta de tomar como modelos para interpretar.

?Hoje me vejo como uma cantora dos grandes amores, das perdas e dos reencontros. Se a música não me arrepiar, não gravo. Se não for personagem da letra, não consigo interpretar. Sou um dramalhão, uma passional? – costuma afirmar, entre gostosas risadas, porém do fundo do coração, a grande interpréte de ?Nuvem de Lágrimas?, primeira canção sertaneja a tocar nas FMs do Rio.

O amplo leque de sua formação musical está refletido na seleção de seu repertório. Ela gravou de tudo, sem preconceito. Música regional, pérolas do cancioneiro popular, como “Que Queres Tu De Mim”, de Evaldo Gouveia e Jair Amorim, ou “Você Vai Gostar” (Casinha Branca) de Elpídio dos Santos. Rock, boleros, ritmos caribenhos, guarânias, afoxé, lambadas, sambas-canções, composições dos grandes nomes da MPB, Marcha-rancho, sertanejo, e muitos outros ritmos. Sem falar da polêmica apresentação que a musa das diretas deu ao Hino Nacional, contestada pela justiça e ovacionada pela platéia, cada vez mais numerosa de seus shows.

Foi a partir da decisão de virar a mesa e deixar o coração falar mais alto que Fafá tocou fundo a alma brasileira. Com a determinação que a caracteriza, os anos de estrada, uma forte intuição e o sucesso absoluto de canções escolhidas a dedo pela própria cantora em determinados momentos de sua vida, como “Bilhete”, de Ivan Lins e Victor Martins, que a fez romper o silêncio de um ano em 1982. Ou “Memórias”, de Leonardo, popular compositor pernambucano, responsável pela venda de meio milhão de cópias (Disco de Platina) do álbum “Atrevida”, Fafá atingia, então, o auge de sua carreira, sobretudo como cantora romântica.

Uma trajetória assombrosa, mas nada que surpreenda quem bem a conhece e às suas aparentes contradições. Não foi à toa que interpretava, com tamanha emoção e propriedade os versos de um dos maiores sucessos de sua carreira, “Dentro De Mim Mora Um Anjo”, de Suely Costa e Cacaso: “Quem me vê assim cantando, não sabe nada de mim…”. Está aí uma das maiores verdades sobre Fafá de Belém, que sabe exatamente o que quer e do que é capaz.

“Sempre transei minhas coisas, vivi minha vida, batalhei demais e dei muito murro em ponta de faca para chegar aonde estou. É o povo que ensina ao artista o que ele tem de cantar e não o artista que deve ensinar ao povo o que ele tem de ouvir” – repete, com freqüência, a artista popular que Fafá de Belém se tornou.

Fafá virou marca nacional. Marca nacional de alegria, com aquela gargalhada sinceramente estrondosa que é capaz de levantar os ânimos de qualquer um. Marca nacional de saúde, a bela mulher brasileira que batizou até as lanternas do antigo Fusquinha, outra paixão popular. Marca nacional de liberdade, símbolo de um movimento político que fez milhões de brasileiros se emocionarem com sua interpretação do hino pátrio.

Esta é Fafá de Belém. Ou melhor: Fafá do Mundo

Release Clemente Schwartz

Às vésperas de completar 40 anos de uma carreira repleta de grandes sucessos que resultaram na marca de.... discos vendidos, Fafá de Belém se mantém como um dos nomes mais sedimentados da Música Popular Brasileira.

Consagrada nacionalmente desde 1975, quando lançou seu primeiro LP, “Tamba Tajá”, e assim revelando desde então uma notória habilidade em imprimir sua própria marca interpretativa nos mais diversos estilos que compõem a MPB, ao reunir num só álbum canções de Milton Nascimento (“Fazenda”) e Caetano Veloso (“Cá já), um xaxado de Luiz Gonzaga (“Xamêgo”), músicas amazônicas dos paraenses Paulo André e Ruy Barata (“Induê tupã” e “Esse rio é minha rua”), uma balada de melodia bem estrangeira composta pelo gaúcho José Fogaça (“Vento negro”), um clássico do bolero composto por Antônio Maria e Ismael Neto (“Canção da volta”), dentre outras tendência, em faixas que assim como as acima citadas conquistaram as paradas de sucesso das rádios e TV, levando-a a ser eleita naquele ano como Cantora Revelação, pelos críticos da POP, revista especializada em música, à época, com maior bagagem perante ao público consumidor do segmento. Fafá lançou segundo álbum, “Água” em 1976, quando a mesma revista a elegeu como Melhor Cantora do Brasil.

Além das rádios e dos programas de música nas TVs, a voz de Fafá de Belém também sempre esteve presente nas telenovelas, nas quais, ao todo, a cantora tem 30 participações em trilhas sonoras, a partir de 1975, na primeira versão de “Gabriela”, que contou com seu primeiro sucesso, “Filho da Bahia” (Walter Queiróz), até “Pauapixuna”, em “Amor Eterno Amor’, telenovela da rede Globo, exibida em 2012. Com tantas inserções, Fafá chegou a ter até duas gravações, indo ao ar simultaneamente como trilha sonora, em novelas distintas, na mesma emissora. Num box, em anexo, consta a lista com o título das trinta gravações e as respectivas telenovelas para quais as interpretações de Fafá serviram como trilha sonora.

Entretanto, a afinidade entre Fafá de Belém e o grande público não se detém a esses fatores, afinal, a intérprete também mergulhou de maneira magistral no universo popular, ao imortalizar vários sucessos durante a grande onda da lambada, nos anos 80; e também durante a explosão nacional da música sertaneja, saída do interior do Centro Oeste para todo o Brasil, nos idos anos de 1990. Durante as duas décadas, Fafá se manteve entre os campeões de bilheteria e de venda de discos, arrebatando adeptos dos dois estilos, dos quais se tornou um nome tão importante quanto os grandes ícones dos segmentos, entretanto, sem que perdesse jamais a majestade de dama da canção, condição adquirida desde suas primeiras apresentações para todo o país.

Não bastasse sua popularidade no Brasil, Fafá alçou voos ainda mais altos ao lançar o álbum “Meu fado” (1992), reunindo clássicos portugueses e canções brasileiras com arranjos adaptados ao estilo português, o que rendeu grande reconhecimento à cantora brasileira no Além-Mar, a outra pátria da cantora filha de português. Em Portugal, a canção “Memórias” do pernambucano Leonardo, lançada por ela com arranjo de fado, já teve mais de 10 regravações no estilo português, decorrente da influência de Fafá. Outra representação da afetividade dos portugueses com Fafá é o fato do hino oficial do time Benfica ter sido substituído espontaneamente pela canção amazônica “Vermelho”, grande sucesso da cantora. O álbum “Meu fado” rendeu o show homônimo, muito solicitado no Brasil e em Portugal, até hoje e, portanto, faz parte do repertório de espetáculo da intérprete.

Com o entusiasmo que lhe é peculiar, Fafá entregou-se novamente às suas raízes amazônicas, envolvendo-se à festa do boi-bumbá de Parintins (AM). Desse contato, resultaram as gravações das toadas dos grupos de bois-bumbás Caprichoso e Garantido, no “Pássaro Sonhador” (1996), álbum que traz ainda carimbós paraenses. Em 2002, Fafá lança um álbum com repertório inteiramente de autoria de compositores paraenses, intitulado “Canto das Águas”, que resultou num espetáculo homônimo, o qual faz parte até hoje do repertório de shows da intérprete. Também em 2002, Fafá lança o álbum “Piano e voz”, fazendo releitura de seus próprios sucessos num formato mais cool, acompanhada por João Rebouças. Este foi mais um álbum a render show que se estabeleceu permanentemente no repertório de espetáculos de Fafá de Belém. Este ano em que lançou dois álbuns quase ao mesmo tempo marca o início da fase em que a cantora não mais se comprometeu à produção de discos anuais, como durante por quase 30 anos de carreira, opção que jamais apagou seu brilho. Pelo contrário, o estrelato de da cantora, se manteve intacto. Tal magnitude se constata com os convites e as apresentações, por duas vezes, para o papa João Paulo II, e mais outra vez, desta feita, para o papa Francisco. Tais momentos eternizaram a cantora de forma singular, tanto em sua trajetória, como, consequentemente, também, na história da MPB. Tais experiências, somadas às participações em outras festividades religiosas, inspiraram Fafá a lançar o single “Ave Maria” (1997) e o álbum “Amor e Fé” (2013).

Além da pureza, Fafá também destilou requinte e veracidade em “Tanto Mar”, álbum de finíssimo trato, composto por repertório é todo assinado por Chico Buarque. O lançamento foi mais um desafio bem sucedido, que se estabeleceu com show permanente no repertório de espetáculos da cantora.